10 de outubro de 2012

Em 30 dias, dois mil empregados domésticos deixaram a profissão no DF.


Dois mil empregados domésticos deixaram a profissão nos últimos 30 dias na capital federal. A PED (Pesquisa de Emprego e Desemprego) divulgada pela Codeplan (Companhia de Planejamento do Distrito Federal), mostra que o número de profissionais interessados no setor tem caído drasticamente.
Um levantamento feito pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) revela que 17 mil empregados domésticos deixaram a profissão nos últimos três anos. Para o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Domésticos do DF, Antônio Ferreira Barros, a tendência é que essa carência no setor aumente ainda mais nos próximos meses.
— A maioria dos empregados domésticos estão deixando o trabalho formal e migrando para a informalidade por conta dos salários. Eles preferem trabalhar como diaristas, sem carteira assinada, porque o valor médio é de R$ 90,00 por dia, o que dá algo em torno R$ 400,00 por semana, ou seja, um negócio bem mais lucrativo se comparado aos R$ 622,00 — salário mínimo — que eles recebem com a carteira fichada para trabalharem feito "burro de carga".
Barros também esclarece que a redução drástica dos interessados na profissão acontece pela ausência dos direitos trabalhistas que todas as outras profissões têm.
— A única coisa que os empregados domésticos recebem, além do salário, é o 13º, férias e aviso prévio. Os demais direitos trabalhistas, tais como FGTS, PIS, seguro desemprego, hora extra, adicional noturno e etc, não são garantidos a eles por nenhuma lei. É um absurdo isso, a profissão mais antiga do país ser a que menos benefícios recebe.
O sindicato explica que quem aceita trabalhar como empregado doméstico e ter a carteira assinada atualmente pede salários altos e alguns outros benefícios.
— Eles não aceitam receber hoje menos que R$ 1.300,00. Além disso, muitos aproveitam o salário e estudam, buscam outras capacitações para mudar de profissão.
Este é o caso da ex-doméstica Maria Piedade da Costa Brito, de 28 anos. Ela começou a trabalhar como empregada doméstica aos 17 anos e exerceu a profissão por 9 anos. Ela contou à reportagem do R7 que aproveitou as oportunidades e investiu nos estudos em busca de novas profissões e salários melhores.
— Terminei meu ensino médio e depois procurei uma faculdade. Hoje, sou formada em enfermagem e trabalho na área. Ganho pelo menos o triplo do que recebia como doméstica, porque estou em início de carreira. Mas o futuro nessa área é realmente promissor e tenho grandes expectativas.
Apesar da conquista, Piedade relata que se houver necessidade financeira não descarta a hipótese de voltar a trabalhar como diarista, mas não pensa mais em voltar a exercer a profissão de doméstica.
— Não tenho preconceito, até porque trabalhei muito tempo com isso. Se for necessário eu faço bicos como doméstica, porque ganha bem mais. Eu só não pretendo voltar a ter carteira assinada como empregada doméstica, porque realmente o salário é muito baixo e não compensa mais.
No entanto, para o Sindicato dos Trabalhadores Domésticos do DF, essa situação poderia ser revertida se o Estado olhasse para a profissão e desse mais atenção, igualando os direitos trabalhistas que as outras categorias recebem.
— Enquanto o estado for omisso, as domésticas sentirão vergonha de trabalhar com carteira assinada e o interesse será mínimo. Como a procura será sempre maior que a oferta, os salários ficarão cada vez mais altos. Esta é uma forma de elas se sentirem valorizadas por conta própria, porque a grande maioria é humilhada, muitas vezes, pelos próprios patrões. Se a gente conseguir mudar essa visão de hoje, talvez em um futuro não muito distante o mercado de domésticos volte a ficar aquecido no Distrito Federal.

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