21 de outubro de 2012

Juro pornográfico imposto por Deivid Gol Perdido do Século é “custo credibilidade zero” que as gestões terríveis obrigam o Fla a sempre entubar.

gol perdido deivid 450 Juro pornográfico imposto por Deivid Gol Perdido do Século é custo credibilidade zero que as gestões terríveis obrigam o Fla a sempre entubarReprodução / Rede Globo

Vazou o acordo judicial assinado entre Deivid Gol Perdido do Século e o Flamengo para que o rubro-negro pague ao atacante os R$ 5,4 milhões devidos em direitos de imagem.

Direitos e contratação gerados, a propósito, por um dos muitos erros da rápida, infeliz e equivocada passagem do maior ídolo da minha existência, Arthur Antunes Coimbra, o Zico, o Rei Arthur, pela diretoria executiva de futebol do Flamengo, entre 30 de maio a 1º de outubro de 201o, na gestão Patrícia Amorim (a própósito, dói muito precisar reconhecer isso em nome do compromisso com a seriedade).

Pelo acordo, Deivid Gol Perdido do Século recebeu R$ 2,9 milhões no último dia 28 de setembro, 13 dias após a data correta, o dia 15 do mesmo mês.

Além disso, o Flamengo comprometeu-se a pagar o restante em seis parcelas mensais seguidas, todas vencendo no dia 15, a primeira neste mês de outubro e a última em março de 2013. As duas primeiras são de R$ 350 mil. As quatro últimas, de R$ 450 mil.

Além disso, Flamengo e Deivid irão incaixar, cada um, R$ 300 mil para os advogados do jogador na ação.

Essa lindeza de trato, essa fofura de tigo e migo cheinha de carinho, foi assinada pela presidente do Flamengo, Patrícia Amorim, e o advogado do clube, André Galdeano Simões.

Bom (quer dizer, bom...), dívida, como dizia aquele filósofo que pegou uma grana emprestada num boteco de Queimados, é dívida.

Precisa ser paga. Ninguém obrigou o Fla a ir atrás de Deivid Gol Perdido do Século. E, depois, se o clube apoiou Zico no desatino de pagar 500 paus por mês ao Gol Perdido do Século, metade disso no tal direito de imagem (a rigor um drible de nome fino no Imposto de Renda da Pessoa Física), a responsabilidade maior, no final, é da tigrada, é da cartolada, é da tigrada de cartola.

A parte inaceitável, indecente, quase pornográfica da história, amados amigos, é o valor dos juros impostos por Deivid e seus advogados - e, pasmem, entubados pelo Flamengo -, para o caso de o clube atrasar por mais de 15 dias o pagamento de qualquer uma dessas parcelas: 50% a partir do 16º dia de atraso, senhores, além das correções monetárias de lei.

Isso: 50% de juros integrais depois de 15 dias de atraso.

Isso significa o seguinte: se ainda não foi paga e continuar aberta até 30 deste mês, a primeira parcela de R$ 350 mil passa automaticamente para R$ 525 mil no dia seguinte, o 31. As quatro últimas, de R$ 450 mil, vão para R$ 675 mil no 16% dia de atraso.

Isso além da correção monetária desses 15 dias iniciais e de quantos mais o Flamengo mantiver pendurado no prego.

Mas se até o assalto praticado contra o cidadão sob o neologismo de juros de cartão de crédito sangra o consumidor em algo entre 10% e 12% ao mês - e isso taxa cheia, atraso de 30 dias somados -, porque o Flamengo aceitou essa taxinha singela, essabeirinha poética, esse alegrete simpático de 50% depois de apenas 15 dias de atraso de qualquer das parcelas?

A própria assessoria do clube não mediu nem escolheu palavras para explicar o motivo de tanta generosidade rubro-negra: a multa, admitiram eles, tem essa carga de juros explícita, pornográfica e estratosférica porque Deivid Gol Perdido do Século simplesmente está com medo de não receber seu encaixe limpamente confirmado na Justiça no prazo estipulado no acordo.

jurão campeão seria uma garantia.

Claro, certo, óbvio, Deivid Gol Perdido do Século.

Afinal de contas, fala-se de Flamengo, não é mesmo, rapaz (por sinal, bela campanha no Coritiba, heim, rapaz?)

Mas eu tenho outra explicação para o fato de o Flamengo engolir essas trolhas - e duvido que a verdade seja diferente.

O negócio é o seguinte: multas e juros indecentes e inacreditáveis como os entubados neste contrato, que violentam a inteligência, o bom senso e o equilíbrio, são mais uma faceta do "custo descrédito total", do "bônus falta de confiança absoluta" ou de qualquer outro nome ou rótulo que se queira dar para o resíduo de imagem positiva e o trapo de credibilidade ainda mantidos pelo Flamengo no mercado e na sociedade depois do desastre das últimas gestões e desta última, de Patrícia Amorim - se é que esses fenômenos, vamos nos contentar em dizer assim, merecem ser chamados de gestão.

Gamarra penhorando isso, Petkovic aquilo, Romário aquilo outro... uma festa.

Uma vez vencida a queda de braço na Justiça (e o Flamengo, devedor de prego cheio com culpa no cartório que é, quase sempre perde), o elemento vencedor aperta o clube na parede diante do juiz e diz: "olha, eles vacilaram até agora, Meretíssimo, o que vai garantir que não irão fazer o mesmo ao saírem daqui...", e tal... E lógico: sempre levam - e com comovente justiça, diga-se.

E o pior é o seguinte: nada garante que o Fla (ah, isso nada mesmo) será pontual mesmo com essa faca na jugular.

Ao contrário: já há quem aposte em qual das seis parcelas essa cartolada vai entregar os primeiros cinquentinha por cento ao Gol Perdido do Século.

Afinal de contas, se a primeira parcela, a dos R$ 2,9 milhões, com o gelado do chope do acordo ainda anestesiando a garganta, foi paga dois dias antes de pegar os singeloscinquentinha por cento, por que não acreditar - mas crer com vontade - que as emoções serão fortes nas seis parcelas que faltam?

Em tempo: em caso de atraso de mais de 15 dias, além da multa escorchante a Justiça poderá penhorar cotas de televisão e outros patrimônios do clube para pagar o Gol Perdido do Século.

E você, no que aposta?

Em um Flamengo pontual?

Vá fundo. Assim você ganhará sozinho na loteria - como praticamente fez, por sinal, o Gol Perdido do Século.

Façam as suas.

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