O Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central começa nesta
terça-feira (9) a reunião que decidirá a nova taxa básica de juros, a
Selic, utilizada como referência para o custo dos empréstimos aos
consumidores e empresas.
Depois de nove quedas consecutivas da taxa, a expectativa dos analistas e
investidores é de que a taxa mantenha os atuais 7,5% ao ano — o menor
nível desde 1999, quando a Selic passou a ser calculada.
Para mudar o juro básico, a autoridade monetária debate, durante duas
reuniões, as condições da economia doméstica e a situação econômica do
exterior. O encontro reúne o colegiado do BC e termina na próxima
quarta-feira (10).
O nível de 7,5% deverá ser mantido até o fim do ano, de acordo com
os analistas consultados pela pesquisa Focus, do Banco Central. O Copom
terá mais uma reunião nos dias 27 e 28 de novembro.
Entenda a Selic
A taxa básica de juros é um instrumento do governo para segurar a oferta
de crédito de bancos, financeiras e das próprias lojas, ou seja, para
estimular ou frear o consumo e, assim, controlar o avanço natural dos
preços.
Quando a Selic sobe, o dinheiro fica mais caro e a população pega menos
empréstimos — para comprar desde casas, carros e eletrodomésticos até
contratar serviços, entre outros. Assim, a escalada da inflação diminui.
Ela é chamada de taxa básica porque é a mais baixa da economia e
funciona como um piso para a formação dos demais juros cobrados no
mercado, que são influenciados também por outros fatores, como o risco
de quem pegou o dinheiro emprestado não pagar a dívida.
Ela é usada nos empréstimos interbancários (entre bancos) e nas
aplicações que os bancos fazem em títulos públicos federais. É a partir
da Selic que as instituições financeiras definem também quanto vão pagar
de juros nas aplicações dos seus clientes.
Ou seja, a taxa básica é o que os bancos pagam para pegar dinheiro no
mercado e repassá-lo para empresas ou consumidores em forma de
empréstimos ou financiamentos, a um custo muito mais alto. Por isso, os
juros que os bancos cobram dos clientes é superior à Selic.
As reduções da Selic provocaram uma queda nos juros cobrados pelos
bancos aos consumidores e às empresas na hora de contratar empréstimos.
Desde abril, as instituições financeiras vêm derrubando as taxas de
operações de crédito como cheque especial, crédito consignado
(descontado diretamente na folha de pagamento) e empréstimo para
financiamento de veículos.
Copom
A reunião do Copom é dividida em duas sessões. Na primeira, que ocorre
nesta terça-feira (9), os chefes de departamento do BC e o
gerente-executivo de Relações com Investidores apresentam análises sobre
a inflação, nível de atividade econômica do país e evolução do mercado
financeiro.
Da segunda sessão, na próxima quarta-feira (10), participam só o
presidente e diretores do BC, todos com direito a voto, além do chefe do
Depep (Departamento de Estudos e Pesquisas), sem voto. Os diretores de
Política Monetária e de Política Econômica analisam as projeções para a
inflação e fazem recomendações para a taxa de juros de curto prazo, em
seguida todos os diretores se manifestam e apresentam eventuais
propostas alternativas.
Criado em junho de 1996, o Copom tem o objetivo de estabelecer as
diretrizes de política monetária e de definir a taxa de juros, nos
mesmos moldes do Fed (Federal Reserve, o BC americano).
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