Agentes da Delegacia da Pavuna
(39ª DP) investigam se os traficantes do morro do Chapadão, em Costa
Barros, na zona norte do Rio de Janeiro, pretendiam resgatar algum
traficante preso. A hipótese passou a ser considerada após a Polícia
Militar recuperar dois carros, na quarta-feira (10), que estavam sendo clonados para ficarem idênticos aos usados pela Polícia Civil.
Para os investigadores, o resgate de comparsas é o
principal motivo para o uso das falsas viaturas pelos criminosos. Outra
possibilidade é usar os carros para invadir comunidades dominadas por
facções criminosas rivais, tendo livre acesso no trajeto, como avalia um
policial que prefere não se identificar:
— Só uma ação ousada e de muita importância para a
organização criminosa justifica o trabalho que os criminosos têm para
montar esses carros, como o resgate de uma liderança, por exemplo.
Poucas horas depois de o BPChoque apreender as
falsas viaturas, PMs do Batalhão de Irajá (41º BPM) encontraram 20
camisas idênticas aos uniformes usados pela Polícia Civil. O material
estava encaixotado dentro de uma casa em construção, na rua General
Moreira César, entre os morros do Chapadão e Job, entre os bairros da
Pavuna e Costa Barros.
Para a polícia, a quantidade de camisas dá uma
dimensão da quantidade de criminosos que iriam participar da ação
criminosa planejada pelos traficantes.
No último dia 1º, o traficante Luis Fernando Nascimento Ferreira, o Nando Bacalhau, foi preso dentro de um apartamento em Guarulhos, São Paulo. Um dos carros clonados foi roubado em maio, cinco meses antes da prisão do traficante.
Em julho, o traficante DG foi resgatado
de dentro da Delegacia do Engenho Novo (25ª DP) por um grupo de 15
traficantes fortemente armados. Ele havia sido preso horas antes pela PM
na favela de Manguinhos, também na zona norte.
Segundo a polícia, o material usado para
caracterizar o carro roubado como viatura, é o mesmo que vem sendo usado
por empresas que fazem envelopamento de veículos. Os criminosos
aproveitaram a cor preta dos carros e usaram apenas o material na cor
branca.
As caminhonetes Nissan Frontier estavam adesivadas
exatamente como os carros usados pela polícia, nas cores preto e branco,
com a inscrição "Polícia Civil" e com o símbolo da instituição. Uma das
falsas viaturas já tinha até giroscópio, que emite luz e som durante
ações da polícia.
De acordo com o tenente Lima Ramos, do BPChoque, a fraude era bem feita, capaz de enganar principalmente o cidadão comum.
— Nós, que somos policiais, percebemos alguns
detalhes que o cidadão não percebe. Dificilmente, um carro desse na rua
despertaria suspeitas.Para um investigador da Delegacia da Pavuna (39ª DP),
para onde os carros foram levados, os criminosos foram espertos porque
praticamente clonaram placas de carros oficiais. Além de brancas, elas
estão cadastradas no Detran como um carro oficial da PM e um carro
oficial da Polícia Civil.
— Policial não tem o costume de averiguar placas de
viaturas da polícia nas ruas. Se eles passam do nosso lado, ia ser
difícil perceber a irregularidade. Além disso, usaram uma sigla do
Departamento de Polícia Técnica, ou seja, da perícia, que roda em
qualquer região sem chamar atenção.
Os dois carros estavam no alto do morro do
Chapadão, escondidos atrás de duas lonas de caminhão, exatamente para
que, à distância, não fosse possível perceber o crime. Durante a
operação do Batalhão de Choque, quatro motos também foram recuperadas.
Ninguém foi preso.
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