11 de outubro de 2012

Polícia investiga se viaturas falsas da Polícia Civil seriam usadas em resgate de traficantes.

viatura
Agentes da Delegacia da Pavuna (39ª DP) investigam se os traficantes do morro do Chapadão, em Costa Barros, na zona norte do Rio de Janeiro, pretendiam resgatar algum traficante preso. A hipótese passou a ser considerada após a Polícia Militar recuperar dois carros, na quarta-feira (10), que estavam sendo clonados para ficarem idênticos aos usados pela Polícia Civil.
Para os investigadores, o resgate de comparsas é o principal motivo para o uso das falsas viaturas pelos criminosos. Outra possibilidade é usar os carros para invadir comunidades dominadas por facções criminosas rivais, tendo livre acesso no trajeto, como avalia um policial que prefere não se identificar:
— Só uma ação ousada e de muita importância para a organização criminosa justifica o trabalho que os criminosos têm para montar esses carros, como o resgate de uma liderança, por exemplo.
Poucas horas depois de o BPChoque apreender as falsas viaturas, PMs do Batalhão de Irajá (41º BPM) encontraram 20 camisas idênticas aos uniformes usados pela Polícia Civil. O material estava encaixotado dentro de uma casa em construção, na rua General Moreira César, entre os morros do Chapadão e Job, entre os bairros da Pavuna e Costa Barros.
Para a polícia, a quantidade de camisas dá uma dimensão da quantidade de criminosos que iriam participar da ação criminosa planejada pelos traficantes.
No último dia 1º, o traficante Luis Fernando Nascimento Ferreira, o Nando Bacalhau, foi preso dentro de um apartamento em Guarulhos, São Paulo. Um dos carros clonados foi roubado em maio, cinco meses antes da prisão do traficante.
Em julho, o traficante DG foi resgatado de dentro da Delegacia do Engenho Novo (25ª DP) por um grupo de 15 traficantes fortemente armados. Ele havia sido preso horas antes pela PM na favela de Manguinhos, também na zona norte.
Segundo a polícia, o material usado para caracterizar o carro roubado como viatura, é o mesmo que vem sendo usado por empresas que fazem envelopamento de veículos. Os criminosos aproveitaram a cor preta dos carros e usaram apenas o material na cor branca.
As caminhonetes Nissan Frontier estavam adesivadas exatamente como os carros usados pela polícia, nas cores preto e branco, com a inscrição "Polícia Civil" e com o símbolo da instituição. Uma das falsas viaturas já tinha até giroscópio, que emite luz e som durante ações da polícia.
De acordo com o tenente Lima Ramos, do BPChoque, a fraude era bem feita, capaz de enganar principalmente o cidadão comum.
— Nós, que somos policiais, percebemos alguns detalhes que o cidadão não percebe. Dificilmente, um carro desse na rua despertaria suspeitas.Para um investigador da Delegacia da Pavuna (39ª DP), para onde os carros foram levados, os criminosos foram espertos porque praticamente clonaram placas de carros oficiais. Além de brancas, elas estão cadastradas no Detran como um carro oficial da PM e um carro oficial da Polícia Civil.
— Policial não tem o costume de averiguar placas de viaturas da polícia nas ruas. Se eles passam do nosso lado, ia ser difícil perceber a irregularidade. Além disso, usaram uma sigla do Departamento de Polícia Técnica, ou seja, da perícia, que roda em qualquer região sem chamar atenção.
Os dois carros estavam no alto do morro do Chapadão, escondidos atrás de duas lonas de caminhão, exatamente para que, à distância, não fosse possível perceber o crime. Durante a operação do Batalhão de Choque, quatro motos também foram recuperadas. Ninguém foi preso.

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