24 de novembro de 2012

Área de preservação ambiental vira loteamento irregular em Paulista, PE.


Uma reserva florestal, protegida por lei, está se transformando em um loteamento irregular, no município de Paulista, na Região Metropolitana do Recife. Famílias estão ocupando a área e construindo casas próximo às ruínas da Igreja de Nossa Senhora dos Prazeres, no bairro de Maranguape.
Assim como a igreja de mesmo nome em Jaboatão dos Guararapes, a de Paulista foi construída no século 17 pelos portugueses, para comemorar a expulsão dos holandeses de Pernambuco, e é um espaço protegido por uma lei estadual desde 1983. Quatro anos depois, foi criado, também por uma lei estadual, o Parque Ecológico do Janga, que tem 300 hectares e inclui a área da igreja. Porém, a mata que deveria estar protegida está sendo destruída e dando origem a um loteamento irregular, onde galhos de árvores centenárias funcionam como estacas para demarcar os lotes.
O eletricista Elias Ramos conta que ouviu falar que havia um terreno sem dono no meio da mata e foi escolher a sua parte. “Eu estava passando por aqui, algumas pessoas comentaram, disseram que tinha terreno. Eu peguei as madeiras e cerquei, pretendo construir minha casa aqui”, conta.
Outras famílias já ocuparam o local e construíram suas casas na área da reserva. Policiais da Companhia de Meio Ambiente da Polícia Militar (Cipoma) já fizeram uma fiscalização na área e constataramo o crime ambiental. “O pessoal está retirando mata nativa para fazer as estacas. Não houve flagrante, mas constatamos o crime”, afirma o tenente Erandir Rodrigues, oficial de operações da Cipoma.
Representantes da Igreja Católica, do Rotary, do comércio e do setor cultural de Paulista formaram uma comissão depois que perceberam a invasão. “A partir do mês de agosto, se aproximando do mês das eleições, teve um aumento assustador. Alguns candidatos se elegeram doando e prometendo terrenos”, afirma o padre Valdemir José da Silva, sem citar nomes.
A comissão mandou documentos a diversos órgãos cobrando ações para coibir as irregularidades. “Não podemos apagar essa memória do povo de Pernambuco. O patrimônio está sendo delapidado, não apenas o de Paulista, mas a memória do estado”, reclama Marcondes Andrade, integrante do Conselho de Preservação dos Sítios Históricos de Paulista
O secretário de Planejamento e Meio Ambiente de Paulista, Alcides Leitão, explicou que a prefeitura soube das invasões em 2011 e tentou negociar a retirada dos moradores da área. Ele disse ainda que as terras, que pertenciam à família Lundgren, foram leiloadas e que é preciso encontrar o novo dono para conseguir retirar as famílias da área, que é de proteção ambiental. “Já encaminhamos a notificação interna para que identifique os proprietários da área e possamos ter essa conversa para fazer o papel que cabe ao município”, afirma Leitão.
A Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH) informou que retirou as estacas que separavam os lotes e que vai ficar atenta para que novas ações desse tipo não ocorram.

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