Um grupo de parlamentares do Rio de Janeiro e do Espírito Santo pediu
nesta quinta-feira (8) que o Supremo Tribunal Federal (STF) suspenda, em
caráter liminar, a tramitação do projeto de lei que alterou a
distribuição dos recursos provenientes do petróleo entre os estados e a
União, os chamados royalties. O texto foi aprovado na última terça-feira
(6) pela Câmara dos Deputados e será enviado para a presidente Dilma
Rousseff, que poderá sancionar ou vetar.
O pedido dos parlamentares foi feito ao ministro Luiz Fux, relator de
um mandado de segurança protocolado em novembro do ano passado. A ação
questionava a votação do projeto com a nova divisão.
Se o ministro concordar com o pedido, a tramitação do projeto será
interrompida e a sanção da presidente da República, Dilma Rousseff, terá
de esperar uma decisão do Supremo.
O pedido foi elaborado pelos deputados federais Anthony Garotinho
(PR-RJ), Rose de Freitas (PMDB-ES) e Hugo Leal (PSC-RJ). Em novembro do
ano passado, eles chegaram a solicitar que o Congresso fosse impedido de
continuar votando o projeto.
Os parlamentares alegaram que o processo de aprovação do texto no Senado, em novembro de 2011,
deixou de observar regras previstas na Constituição, principalmente o
princípio dos entes federativos. No texto protocolado nesta quinta, os
deputados afirmam que, com a aprovação do projeto pela Câmara, o
“terror” tomou conta do Rio de Janeiro.
“O projeto de lei em si gera um colapso nas finanças públicas do estado
do Rio de Janeiro. Gera no estado uma perda de R$ 4 bilhões no ano que
vem. É absolutamento inviável. O estado fecha as portas”, afirmam no
documento os parlamentares, citando declarações do governador do Rio de
Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), nesta semana. A petição inclui uma reportagem do G1 sobre a declaração do governador.
O gabinete do ministro Luiz Fux informa que o ministro deve decidir o assunto “em breve”.
O que mudou?
O projeto aprovado pela Câmara é o mesmo aprovado pelo Senado. Prevê
uma redução na fatia dos royalties que atualmente é repassada para os
estados produtores do petróleo. Por outro lado, estados não-produtores
terão ganho.
Em razão dos interesses diferentes dos estados, o texto causa
divergência entre parlamentares. O projeto é polêmico também porque, ao
contrário do que defendem até setores dentro do governo, não reserva
royalties para áreas específicas, como educação ou saúde.
Nesta quinta-feira (8) a presidente Dilma, ao sair de cerimônia de
lançamento do Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa, não quis
adiantar detalhes sobre sua análise dos royalties. Questionada por
jornalistas a respeito de eventuais vetos, a presidente disse que ainda
não tinha visto a lei.
"Eu não tenho a lei. Eu vou avaliar a lei. Eu ainda nem a vi. Eu vou
avaliar a lei. Seria uma pessoa leviana se, sem recebê-la, falasse sobre
ela", afirmou Dilma.
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